Wednesday, May 13, 2020

As primeiras ações de formação em Orientação & Mobilidade (1972-1986)


Curso

Ano

Responsável

Professores

Local

Total formandos

1972

CFAP- (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Pessoal) Direcção Geral de Assistência

Luís de Barros

Moura e Castro

Júlio Paiva

Lisboa

12

1976

ONCE (Organización de Ciegos Españoles)

Robert Jackle

Jesus Cabrera

Anta Ryman

Júlio Paiva

Barcelona

5 portugueses

11 espanhóis

1978

CEEP (Centro de Educação Especial do Porto)

Moura e Castro

Júlio Paiva

Porto

8

1979

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGEB (Direcção Geral do Ensino Básico)

Júlio Paiva

Lisboa

5

1981

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGEB (Direcção Geral do Ensino Básico)

Júlio Paiva

Belo da Conceição

Ana Maria Amado

Lisboa

12

1983

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGEB (Direcção Geral do Ensino Básico)

Moura e Castro

Profa. Isabel

Lisboa

10

1983

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGES (Direcção Geral do Ensino Secundário)

Júlio Paiva

Manuel Carvalho

Coimbra

8

1985

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGEBS (Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário

Moura e Castro

Porto

5

1986

DEE (Divisão de Ensino Especial)

DGEBS (Direcção Geral do Ensino Básico e Secundário

Moura e Castro

Porto

6

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Orientação e Mobilidade: da bengala branca ao cão-guia

Câmara Municipal de Lisboa
Departamento de Bibliotecas e Arquivos
Gabinete de Referência Cultural 
Lisboa 24-25 de Junho de 2004

Uma pesquisa bibliográfica para a realização de um trabalho académico, poderá encontrar referências sobre a mobilidade da pessoa cega ao longo da nossa história.

Eventualmente alguns dos desenhos toscos feitos há milhares de anos e encontrados nas pedras deste nosso Portugal poderão referenciar um cão conduzindo um cego, ou um cego com o seu bastão.
As pessoas cegas, durante séculos, só muito raramente usufruíram de educação clássica. Só no século IX, é que apareceram escolas que iniciam um currículo especial onde se incluía a leitura e escrita táctil, a afinação e o tocar piano, algumas artes e técnicas, mas onde a aprendizagem da autonomia nas suas deslocações, estava ausente do programa. A característica, nesta última área, era de que, por si, só poderia conhecer o mundo reduzido da sua área de residência e o que estava à sua volta. Se queria conhecer um mundo mais alargado, teria de recorrer ao auxílio de um guia.

A nível mundial o primeiro treino ou aprendizagem formal de orientação e mobilidade tem a sua origem na utilização do cão-guia, nos Estados Unidos da América através da "Seeing Eye", logo após a primeira Guerra Mundial.

Poderemos igualmente dizer que, ainda sem a característica estrutural, apareceu, nos fins do século dezanove, o chamado "treino físico". No entanto, todo este trabalho era no sentido de melhorar comportamentos centrados no próprio corpo da pessoa cega, mas nunca virado para a sua interacção com o mundo através das suas deslocações autónomas. Essas tinham um certo sentido de proibição.
Só após a segunda Guerra Mundial, com regresso dos militares cegos ao Hospital Militar de Valley Forge EUA), Richard Hoover, numa reunião em que se discutia o que fazer com estes soldados, em termos de reabilitação e de prioridades, disse: "A primeira coisa que eles devem aprender é como conhecer o espaço à sua volta".

Foi assim, que nos anos cinquenta, se iniciou o ensino do "andar a pé", a designação que precedeu a de Orientação e Mobilidade e que modificou a filosofia e a prática da quase impossibilidade de permitir que a pessoa cega se movimentasse autonomamente.

Richard Hoover faz parte de um grupo de três iniciadores deste processo revolucionário, iniciado em Valley Forge, que permitiu que actualmente, a população com deficiência visual se desloque por esse mundo fora, com muito mais facilidade, resultante de um melhor treino dos seus sentidos, da aprendizagem de uma nova técnica, da utilização de uma bengala mais leve, comprida e eficaz e de uma aprendizagem orientada para um melhor conhecimento das diferentes situações características deste mundo. As outras duas pessoas, são Warren Bledsoe e Russ Williams. Diz a história que sem estes três homens, provavelmente a Orientação e Mobilidade nunca teria chegado ao que é hoje (Dona Sauerburger) History of Orientation and Mobility
http://www.wayfinding.net/history.htm

Richard Hoover e Warren Bledsoe, vinham da Maryland School for the Blind, onde eram professores. Russ Williams tinha cegado no decorrer da Invasão da Normandia e contribuiu com as técnicas que na altura tinham aprendido e que eram as do treino dos sentidos nomeadamente, treino sonoro e táctil, as mudanças de superfície, as diferentes características espaciais, os pontos de referência a utilizar, etc. . Os três, com muita dificuldade, iniciaram um a nova era, com um ensino estruturado e onde a barreira mais difícil a ser ultrapassada foi o da utilização de uma bengala, já que ela estava mesmo proibida de ser usada (Bledsoe, C.W. 1987).

Bedsoe , ensinou a Suterko e a outros técnicos, as técnicas que aprendeu com Hoover. Williams ensinou as técnicas de desenvolvimento sensorial.

A principal característica desta aprendizagem e que ainda hoje é seguida, centra-se na característica que depois de referida uma determinada técnica, cada formando irá servir de guia e ensina a um outro que está de olhos vendados e que desta maneira irá executar a técnica aprendida. Para reforço deste tipo de aprendizagem o guia sistematicamente questiona o formando de olhos vendados "O que está a sentir?", "O que está a ouvir?" "A que distância se encontra da parede?", etc..

Williams, igualmente foi importante para os novos instrutores, pois que mostrou a sua grande capacidade técnica e ensinou como é que aprendeu a localizar um edifício, ou até um pequeno poste, através de vários processos incluindo a sombra sonora que estes faziam quando passava um carro, do outro lado do objecto, ou quando esperava o eco resultante dos seus passos ou palmas.

Em Portugal, por esta altura, criava-se a Fundação Sain (1957) e por haver necessidade de técnicos de reabilitação, veio a Portugal o prof. J. Albert Ansenjo, do "Rehabilitation Centers St. Louis Missouri", primeiro dando uma formação genérica para técnicos de reabilitação no decorrer dos anos de 61/62, onde esteve o professor Luís Reis, que em colaboração com a Prof. Margarida Vieira da Rocha investiram bastante na autonomia e deslocações dos reabilitandos. Mais tarde, com a abertura do Centro de Reabilitação de N. S. dos Anjos, e no decorrer duma formação mais intensiva, aparece o prof. José Joaquim António Rodrigues, que recebe formação já com com os conteúdos que incluíam as técnicas iniciadas pelo Dr. Richar Hoover, (técnica dos dois toques ou do pêndulo) que nos permite anotar ser este senhor o primeiro professor de orientação e mobilidade da nova e actual era. Posteriormente formou-se em Engenharia Geológica e vive no Brasil para onde foi há cerca de 40 anos.

Nesta mesma altura, surge o professor do 1º ciclo Ramalho e o fisioterapeuta Luís de Barros que também recebem formação dada por Albert Ansenjo. (Orlando Monteiro, comunicação pessoal, Janeiro 4, 2003)

Para a difusão dos novos modelos de intervenção junto da população com Deficiência Visual, tinha-se criado na Europa, em Paris, a AFOB (American Foundation for Overseas Blind) que em 1965 passa a ser dirigida pela Dra. Jeanne Kenmore. Tinha esta fundação como missão, prestar assistência técnica, realizar investigação nos domínios da cegueira e também distribuir publicações profissionais e material em braille. As boas relações desta instituição com os serviços de apoio à deficiência visual a funcionar nos Serviços de Proteção à Infância e Juventude do Instituto de Assistência aos Menores onde estava, na altura, a Dra. Ana Maria Bénard da Costa, permitiram, em 1968, realizar, em Paris, o primeiro curso de Orientação e Mobilidade, onde estiveram presentes os professores Ramalho e Luís de Barros. Em 1969, adquiriram esta mesma formação, num segundo curso, os professores Belo e Moura e Castro. No ano seguinte, 1970, coube-me a mim e à professora Magda Ribeiro, usufruir a mesma formação. Nestes cursos, apareciam formandos dos vários países da Europa e Médio Oriente.

Foi responsável pelo primeiro e segundo cursos o já referenciado Stanley Suterko. O responsável do terceiro curso foi um americano Bill Walkoviack, que tinha sido aluno no Boston College de Suterko. Igualmente foram professores nestes três cursos a sueca Anta Ryman professora na Totemboda School, na Suécia, e a australiana Wanda Williams, professora na Refnesskolen na Dinamarca. No último curso foi professor também, o espanhol Jesus Cabrera da ONCE de Espanha.
Possuíam estes cursos, cinco áreas específicas. A primeira referente aos aspectos físicos de orientação e mobilidade, aprendidas através da prática com os olhos vendados. A segunda relacionada com os aspectos específicos da população com deficiência visual. A terceira estudava as funções do corpo humano relacionada com a anatomia, fisiologia, cinesiologia e actividade física característica da pessoa cega. A quarta, abordava o estudo dos sentidos, especialmente os remanescentes. A quinta estudava os aspectos culturais e psicosociológicos relacionados com a deficiência.

Com o nosso início de trabalho intensivo e com a boa imagem que a população com deficiência visual passou a sentir que possuía e igualmente passou a dar a todos os que directa ou indirectamente observavam a sua mudança comportamental, verificou-se a necessidade de, a nível nacional, formar mais professores e técnicos. Nesta altura, a AFOB, tinha terminado a sua acção na Europa.

Assim, em Portugal, realizaram-se vários cursos com modelo similar ao recebido em Paris, ou seja com os mesmos conteúdos e metodologia, com cinco semanas de trabalho intensivo, num total de 175 horas e com critérios de admissão que delimitavam o curso para professores c/especialização na área da deficiência visual, ou professores de educação física. Estes critérios, num ou noutro curso, não foram totalmente seguidos.

Enumeram-se seguidamente os cursos em que estiveram envolvidos quer eu quer o Prof. Doutor José Alberto Moura e Castro e que estão referenciados até ao ano de 1988 (ver abaixo). Posteriormente realizaram-se cursos similares ou de menos duração, dos quais fomos tendo informação, mas cuja pesquisa não foi possível efectuar, excepto no ano 2000 nos Açores, que foi da minha responsabilidade.
  • Entidades formadoras:
- CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Pessoal) Direcção Geral da Assistência
- CEEL e CEEP (Centros de Educação Especial de Lisboa e do Porto)
- DEE (Divisão do Ensino Especial) da DGEBS e DEE da DGES
  • Entidades utilizadoras:
  • Escolas (regular e especial), Centro de Reabilitação de N.S. dos Anjos, Oficinas da Areosa, Fundação Sain, Acapo

Em 1995 através de uma candidatura ao Programa Horizon/Feder, conseguiu a Escola Profissional Beira Aguieira de Mortágua enviar à Federação Francesa de Escolas de Cães-Guia, 2 educadores que fizeram uma formação de 3 anos. A mesma candidatura permitiu a aquisição do terreno bem como a construção das instalações e formação da restante equipa. A partir de 2000, terminado o projecto comunitário, constitui-se uma associação sem fins lucrativos a ABAADV – Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, que nesta altura, dirige a escola que já distribuiu gratuitamente cerca de 50 cães-guia que tem permitido às pessoas com deficiência visual, uma maior autonomia nas suas deslocações.

Lisboa, 25 de Junho de 2004



Friday, May 8, 2020

APOIO ÀS AULAS À DISTÂNCIA DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE (OM) AOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL (DV) FACE À SITUAÇÃO COVID-19




As escolas fecharam face ao Covid-19 e aos professores foi pedido que prepararassem aulas para virtualmente intervirem junto dos alunos e respetivas famílias procurando finalizar o ano escolar.

Esta mudança rápida obrigou os gestores, professores, alunos e pais a procurarem a melhor utilização das ferramentas digitais e todo um conjunto de auxiliares necessários para um bom funcionamento deste meio de ensino. 

A adaptação ao novo modelo foi difícil para todos, mas acentuou-se na área dos alunos com deficiência. Para os alunos com problemas de cognição, os alunos com autismo ou com multideficiência esta adaptação foi ainda mais complicada. Depois a dificuldade em saber o que, e o como ensinar.

Esta é uma situação nova em que todos os intervenientes necessitam de apoios específicos muito especialmente no domínio das novas tecnologias à distância.
Perante o problema, o Ministério da Educação divulgou um documento:
“Orientações para o trabalho das Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação Inclusiva na modalidade de E@D. Pedia-se à escola para orientar todos os recursos para assegurar a continuação do processo decorrente do ano escolar enquadrando-o em quatro eixos. No primeiro pedia para realizar e difundir um documento orientador da atuação das equipas de apoio no ensino à distância de forma a estas garantirem a continuidade do acompanhamento das aprendizagens dos alunos com necessidades especiais. No segundo pedia para identificar e implementar os apoios à aprendizagem nesta nova situação, colaborando com todos os professores e identificando os constrangimentos. No terceiro pedia para apoiar as famílias neste novo processo de E@D, planificando essas ações, acompanhando e verificando constrangimentos. No quarto pedia a articulação com outros serviços de apoio na comunidade.

Perante este documento, queixaram-se os professores de que deveria haver planificação mais específica para o seu trabalho. No mínimo, algumas sugestões. Compreendemos a posição dos serviços centrais. Não é possível realizar um plano específico. Há que, perante o plano educativo do aluno, definir novas estratégias, através da verificação de quais as competências: suscetíveis de serem realizadas à distância com pequenas ou grandes adaptações; com grandes dificuldades de se adaptar a um ensino à distância que irão exigir a ajuda da família e suscetíveis de serem realizadas única, direta e exclusivamente com o aluno face a face.

Tudo deverá ser realizado com grande sentido de investigação/experimentação de qual a melhor estratégia para cada uma das aprendizagens, pois não há grande prática do ensino à distância de crianças com necessidades educativas especiais, muito especialmente na área da deficiência visual/orientação e mobilidade. Nem mesmo os países considerados mais desenvolvidos nestas áreas, estavam preparados para este novo modelo.

Portanto, não procurem uma certeza nestas sugestões estratégicas que iremos aqui apresentar, porque...não há certezas.

Dentro do apoio a alunos com DV aparece-nos  a área  de Orientação e Mobilidade.Tradicionalmente quando se fala de OM junto dos que trabalham com crianças com deficiência visual, pensa-se numa atividade que procura a autonomia nas deslocações dos nossos alunos, no sentido de:

- desenvolver competências no domínio sensorial,
- mostrar o mundo dos objetos e das pessoas,
- ensinar técnicas de proteção e exploração utilizando dominantemente uma bengala.

Estas atividades são feitas num serviço tradicionalmente prático e numa situação de um aluno para um professor progredindo do interior da habitação/escola para um exterior geográfico global. Ensinar OM à distância obriga a repensar e adaptar as estratégias.

Da nossa parte, e não havendo qualquer ensino estruturado nesta área, este repensar centrou-se no recordar duma dissertação de mestrado realizada há cerca de 35 anos “Treino de Visão. Análise comparativa de utilização do computador e do videotelefone no ensino à distância de população com resíduos de visão”: FMH, 1994, e a formação a distância para a Universidade de Cabo Verde, Março 2017 “Curso online de orientação e mobilidade para invisuais e normovisuais”.

Concluímos que seria possível encontrar algumas soluções para a concretização desta atividade, estando os alunos confinados à sua residência. As orientações que se seguem, são meras sugestões de trabalho, já que o afastamento há vários anos do trabalho direto com os alunos, não nos permite qualquer prévia experimentação.

Não estávamos à espera que fosse uma exigência do momento de que as aulas de OM pudessem vir a ser já dadas virtualmente. Há, portanto, que repensar as estratégias do ensino desta atividade.
Vai ser uma atividade diferente do atravessar ruas, utilizar os transportes públicos ou localizar objetivos.



SUGESTÕES GERAIS:
- Averiguar se a escola já definiu e aprovou todas as medidas para o ensino online através de um plano orientador que garanta a continuidade das aprendizagens dos alunos com deficiência visual.
-Verificar se os instrumentos que vão utilizar são ou não acessíveis aos nossos alunos.
- Analisar a disponibilidade e competência da família para poder receber este serviço.
- Analisar no decurso da intervenção educativa o comportamento da família, quer na prestação do serviço, quer na perceção do sentir que os seus filhos estão a progredir.
- Acompanhar os modelos de intervenção dos colegas desta área dos outros agrupamentos e ir adaptando no sentido de melhorar a sua prestação.
- Avaliar com cuidado os locais onde à distância, vão colocar os seus alunos para a sua aula. Verificar se há escadas, vãos de escadas, objetos salientes, vidros, etc. Cada casa de cada aluno é diferente de outra de outro aluno.

SUGESTÕES PARA PROMOVER A SEGURANÇA E A SAÚDE:
Procedimentos aquando da utilização de um guia:
- Usar corretamente a máscara facial pois é uma situação em que não há distância física.
- Ao contactar com o guia, ter em consideração que o braço do guia é uma zona suscetível de estar  afetada pelo tossir ou espirrar e por isso a necessidade do uso de luvas ou o guia usar mangas descartáveis.
- Utilizar o cotovelo para contactar com os objetos.

Procedimentos ao realizar atividades de deslocação:
Porque são técnicas que obrigam a tocar em corrimões, portas, paredes, bengalas e, em algumas situações contacto com o público, deverão utilizar-se procedimentos de segurança:
- Verificar se os locais normalmente frequentados pelo aluno DV são limpos com frequência.
- Dar a conhecer ao aluno os métodos de limpeza e quais os procedimentos a utilizar.
- Conhecer o procedimento de inutilização das máscaras, luvas e mangas.
- Conhecer o procedimento de lavagem das mãos antes do uso destes objetos.
- Dar a conhecer os métodos alternativos à lavagem das mãos. Uso de desinfetante e lenços húmidos. - Transportar sempre um pequeno frasco com desinfetante. Deitar fora os lenços de papel usando, para o efeito, um compartimento separado da sua mala.
- Cuidado em não tocar com as mãos ou luvas no rosto.
- Utilizar a face interior do cotovelo ao tossir ou espirrar.
- Lavar com frequência os óculos.
- Lavar a bengala com frequência e secar com pano limpo. Guardar a bengala em local limpo.
- Manter uma distância das outras pessoas entre 1,5m e 2m. Desenvolver este sentido da distância do volume à sua frente através da audição. Primeiro utilizar uma fita métrica. Depois pelo sentido volume e pela emissão da sua voz que se reflete nesse volume, verificando a sua perceção a diferentes distâncias desse objeto. (consultar as técnicas de Daniel Kish)
- Ao deslocar-se no espaço e se não está a usar bengala, utilizar um pequeno objeto (um pequeno pau, um livro, etc.) para evitar contacto direto.
- Ao deslizar a mão pelas superfícies, corrimões, mesas, paredes, interiores de transportes públicos com a intenção de tomar uma direção para localizar um objetivo (superfícies estas que deverão estar limpas), deverá fazê-lo com o cuidado de uso de luvas ou de um pequeno objeto conduzido na mão, procurando não levar as mãos à cara.
- Ao deslocar-se no espaço e se não quiser utilizar guia, porque desconfia da sua higiene, pode pedir-lhe para lhe dar indicações, verbais e orientadas do trajeto a efetuar.
- Ter a casa bem arejada, abrindo as janelas.

SUGESTÕES EM OM (orientação)
- Abordar a utilização dos transportes públicos. Modelos de viaturas. Portas de entrada e saída, diferentes interiores. Formas de contactar: taxis, UBER, etc. Conhecimento de preços.
- Construção de mapas táteis, com materiais caseiros (cartão, massa de esparguete, cola, ou outros materiais acessíveis ao professor e ao aluno). Pedir colaboração aos pais. Entregar em casa mapas táteis relacionados com as atividades do momento, colocando questões sobre o conteúdo deste material.
- Aprendizagem de escalas. Começar pela divisão onde recebe a emissão; escolher um móvel simples (mesa); medir com fita métrica; escolher uma escala acessível (1/10); suponhamos que um lado da mesa mede 1 m, logo a representação gráfica tátil no mapa do lado da mesa, será um esparguete com 10 cm.
- Alargar esta aprendizagem, à sala, quartos, cozinha, exterior, etc. fazendo um mapa analítico do espaço do aluno.
- Reforçar conceitos de orientação, (paralelo, perpendicular, etc). Orientação pelos pontos cardeais, pelo relógio, por graus, ângulos e por voltas, meias-voltas e quartos de volta, quer com representação no mapa entregue ou a confecionar pelo aluno, quer através da informação verbal de mapa mental.
- Com um mapa tátil, localizar pontos importantes; realizar trajetos; questionar quais os trajetos que o aluno realiza; questionar o aluno na ausência do mapa tátil.
- Colocar situações diversificadas e questionar o aluno que solução utilizaria (resolução de problemas). Por ex: O que faria se perdesse o autocarro? Se partir a bengala? etc.
- Com um mapa de cruzamento, ou rotunda,  realizar a aprendizagem dos procedimentos básicos. Não esquecer que a técnica a utilizar nestas situações é complexa, pelo menos na quantidade de itens que o aluno tem de memorizar (sentidos de trânsito, existência ou não de semáforos, etc.) e, portanto, a consistência desta aprendizagem é importante.
- Fazer um arquivo digital dos trajetos já realizados.
- Planear trajetos utilizando o telemóvel.
- Praticar a utilização das aplicações dos transportes públicos.
- Explorar ou dar a conhecer as várias aplicações de GPS adaptadas para DV.
- Identificar as técnicas a utilizar em vários tipos de restaurantes, cantinas, self-service, refeições rápidas (Mcdonalds); tipos de refeições a escolher.

SUGESTÕES EM OM (movimento no interior):
Procurar um espaço onde colocar a câmara (ao fundo de um corredor, no canto de uma sala, num pátio exterior ou pedir a pessoa de família para a segurar) e realizar a aprendizagem das:
- técnicas básicas do guia, localização de objetivos, passagens estreitas, localização de objetos caídos; diferentes tipos de cadeiras, etc.
- técnicas de deslizar e proteção
- técnicas de bengala no interior

SUGESTÕES EM OM (movimento no exterior)
Enquanto a atividade anterior de OM em interior já foi por nós realizada com sucesso, a seguinte, de exterior, é experimental. Portanto deverá ser realizada com aluno que ofereça competências seguras, com autorização dos pais, em locais bem conhecidos do aluno e com trânsito reduzido.
É necessário que o aluno possua um telemóvel com câmara e igualmente o professor. O telemóvel é colocado no peito do aluno numa bolsa, transportada ao pescoço, permitindo a visão do espaço em frente que o aluno vai seguir e que o professor à distância, vai observando. O uso de auricular é aconselhado. Ainda assim, apesar do professor acompanhar o trajeto do aluno através da câmara que este transporta, é obrigatório a presença de um acompanhante do aluno que pode e deve ser uma pessoa da família.

Gostaríamos de ter realizado esta experiência no decorrer da nossa atividade profissional, mas o tempo não nos permitiu. No entanto, podem consultar o trabalho feito na Austrália, sobre a mesma experiência: “The Roam Project - Exploring new frontiers in video conferencing to expand the delivery of remote O&M services in regional Western Australia” Amy Barret-Lennard, 2016.

Existem muitos vídeos sobre OM, especialmente em língua inglesa e espanhola que servirão para uma formação da família do aluno. Temos em nossa posse, vídeos por nós realizados recentemente, sobre aspetos referentes à utilização do guia e que temos muito gosto em ceder.

Esta prestação é um desafio. Julgamos haver grandes possibilidades de a realizar desde que tudo o que for feito implique que a segurança do nosso aluno e os seus interesses estejam em primeiro lugar.
Sucessos.
Coimbra, 2 de maio de 2020
Júlio Damas Paiva